Conheça a história de Cristiane Steele

Publicado em 25/06/2018

Meu nome é Cristiane, tenho 36 anos, sou casada e tenho duas filhas. Sou formada em fisioterapia cardiorrespiratória e hoje moro no estado da Virginia, nos Estados Unidos.

Cresci na cidade de Campinas, interior de São Paulo. Meu pai era pedreiro e minha mãe do lar. Eu vim de uma família bem humilde, tenho cinco irmãos. Na infância, nunca imaginei que poderia aprender uma segunda língua ou até mesmo fazer faculdade em outro país. Aliás, nunca pensei que seria possível me formar em uma faculdade.

Minha infância foi muito difícil. Entre as recordações que tenho, lembro de recebermos doações de roupas e alimentos. Cresci em um ambiente onde meus pais brigavam muito. Minha mãe sempre apreensiva e com raiva e meu pai, ausente. O casamento não durou e eles se divorciaram.

Aos 13 anos, conheci um programa de patrulheiros que era divulgado no meu bairro e resolvi participar. Aquilo foi minha salvação naquele momento e foi onde aprendi a ser responsável e ter objetivos de vida.

Aos 17, consegui emprego na área de telemarketing em uma grande empresa, com salário suficiente para sair de casa.

Nessa jornada de morar sozinha ou dividir aluguel, conheci uma estudante da Unicamp (Universidade de Campinas) que me deixava pagar o que eu podia para viver em um ótimo apartamento e ter a possibilidade de viver uma vida decente por muitos anos. Nessa época, além de trabalhar muito, iniciei a faculdade de administração.

No primeiro ano de curso, conheci uma estudante que faria o programa de Au Pair, que, resumidamente é ser babá no exterior. Ela estava de passagens compradas para morar nos Estados Unidos por um ano. Aquilo me chamou atenção.

Até então, eu nunca havia acreditado na possibilidade de morar fora do Brasil, afinal eu não sabia inglês e também não tinha condições financeiras para bancar uma viagem.

Mas eu senti que eu precisava fazer algo para mudar a minha história. Me inspirei naquela estudante do programa de Au Pair. Aos 22 anos, ainda morando de favor para pagar a faculdade, meu salário não era suficiente pra arcar com dívidas de um intercâmbio. Então tive de fazer sacrifícios financeiros.

Vendi brigadeiros, semijoias e passava roupas nas horas vagas. Foram dois anos juntando dinheiro para conseguir viajar.

Nesse meio tempo, todas as noites, após a faculdade, estudava inglês por conta própria, inclusive aos finais de semana. Sofri um pouco por não ter apoio nessa jornada. Alguns que sabiam da minha luta para fazer intercâmbio, achavam que eu tava ficando doida, duvidavam de que eu seria capaz de concretizar esse sonho e até faziam piadas a respeito.

Já minha família não sabia muito da minha vida. Nesse tempo em que sai de casa, não recebi a visita dos meus pais. Meus irmãos eram quem perguntavam sobre mim. Minhas tias foram mais presentes na minha vida que minha mãe.

Ainda assim, continuei. Foquei por dois anos em juntar dinheiro e estudar inglês. Deu certo! Fiz um teste na agência e fui aceita para o programa de Au Pair! Fiquei radiante!

Sem boas referências dentro de casa, buscava me espelhar nas pessoas ao meu redor. Tanto que fazer faculdade parecia ser impossível e até teria sido se não fosse pela menina que me deixou pagar muito pouco de aluguel para que eu pudesse estudar.

Se for hoje dar méritos às minhas conquistas profissionais e pessoais eu, com absoluta certeza, posso dizer que não cheguei até aqui sozinha.

Devo às pessoas que me deixaram morar de favor. O amigo que me levava sanduíche na faculdade porque sabia que eu não tinha o que comer. Aos amigos que acreditaram em mim e me incentivaram a cada dia. A alguns familiares que não se esqueceram de mim e ofereceram uma palavra carinhosa de apoio.

O intercâmbio transformou minha vida de forma avassaladora. Nessa jornada americana, aprendi, errei, me tornei mais confiante. Conheci uma nova “Cris” dentro de mim. Descobri um mundo de possibilidades e, sem dúvidas, entendi que se temos sonhos, temos também capacidade de realiza-los.












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