Conheça a história de Victória Rosal

Publicado em 18/06/2018

Eu tinha 14 anos quando descobri os diários de intercâmbio high school no Youtube. São vídeos postados por adolescentes mostrando a rotina de estudos em escolas de ensino médio em outro país.

O conteúdo era tão bom que eu passei a colocá-los como um dos meus entretenimentos diários.Não levou muito tempo para que eu, telespectadora fiel, tivesse aquele desejo transformado no maior sonho da minha vida.

Em 2015, com 16 anos, decidi ligar para agências atrás de orçamentos. Foi então que cheguei à conclusão de que eu realmente não poderia arcar com mais de RS 30 mil para estudar por 1 ano no exterior.

Em 2016, quase surtando com esse desejo dentro de mim, decidi colocar a mão na massa. Encomendei pães de mel de uma colega e comecei a vende-los no farol para levantar a grana. Comprei alguns e, na mesma noite, no ponto de ônibus no caminho de casa, vendi vários. Aquilo me deixou animada.

Eu estava trabalhando na época, em um local com carteira assinada e fazendo o que eu gosto, que é cantar. Só que as vendas no farol estavam dando tão certo que pedi demissão do emprego. Minha família ficou de cara, imaginem.

Após algumas semanas vendendo, uma das moças que também trabalhava no semáforo, não queria minha presença no lugar. Depois de muita briga e até polícia envolvida, eu decidi sair. Desanimei. Tentei outros faróis, que não me davam o mesmo retorno financeiro.

Nesse meio tempo, muitos amigos e desconhecidos sensibilizaram-se com a minha vontade em fazer o intercâmbio. Fiz vídeos na internet contando minha história, mostrando minha rotina de vendas para a realização do meu sonho. Uma agência de intercâmbio o descobriu, viu minha luta. Baixaram o preço da viagem. Ainda assim, eu não conseguiria arcar com os custos sozinha.

Eu já estava no último ano do ensino médio, as aulas nos Estados Unidos começariam em breve e eu ainda não tinha o dinheiro.

Mas um milagre aconteceu. Pela internet, conheci um americano que também se sensibilizou com a minha história e decidiu custear boa parte do meu intercâmbio, no novo valor que a agência havia proposto! As passagens foram compradas com dinheiro de uma vaquinha online criada por amigos e com complemento de milhas de viagens de outras pessoas.

Embarquei no “final do segundo tempo”. Tanto que peguei meu visto em uma terça-feira e, no domingo seguinte eu já estava no avião! Setembro de 2017.

Depois de tantas dificuldades e barreiras finalmente eu consegui! Graças à minha teimosia e ao envolvimento de muita gente.

Minha viagem? Incrível.

Retornei há pouco tempo, em abril. Após 8 meses vivendo no exterior, morando com uma família que nos primeiros dias era totalmente desconhecida, estudando e vivendo em uma micro cidade, com um idioma completamente diferente do meu, submetida a todos os sentimentos possíveis e tudo isso longe da família, posso dizer para vocês que: SE UM INTERCÂMBIO NÃO É UMA DAS MAIORES E MELHORES EXPERIÊNCIAS EXISTENTES NESSE MUNDO, EU NÃO SEI O QUE É!

Depois daqueles 8 meses vivendo fora voltei fluente em outro idioma, com um combo de experiências boas e ruins, com mais responsabilidade, flexibilidade e maturidade. O que eu gostaria de dizer para quem está lendo esse texto é que você pode sim! O atingir está ligado a você e ao seu esforço. Um intercâmbio abre portas internas e externas. Eu espero, de todo o meu coração, que todos tenham essa oportunidade um dia. Que os que não acreditam possam encontrar em si mesmos um motivo para enxergar que é possível.

Encontro surpresa no aeroporto, pouco antes de eu embarcar para os Estados Unidos. Na foto pessoas essenciais para a realização do meu intercâmbio.
Minhas irmãs Acsa e Sophia, momentos antes de eu embarcar para a maior aventura da minha vida.
Quintal da família americana. Felicidade de quem viu neve pela primeira vez.
Feliz Dia de Ação de Graças! Um dos melhores feriados americanos.
Turistando pelo estado de Texas.



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